Nas disputas para o governo do estado, todas as pesquisas indicam empate técnico entre Hana Ghassan e Daniel Santos. Estas pesquisas são todas estimuladas, que dizer, apresentam-se nomes dos candidatos aos entrevistados. Na pergunta espontânea, em torno de setenta por cento do eleitorado ainda não tem um candidato escolhido.

Não devemos esquecer, a pesquisa representa, em cada momento da pré-campanha ou da campanha uma fotografia estática, daquele momento das campanhas eleitorais. As pesquisas devem consolidar uma tendência após a terceira semana de campanha eleitoral. Nestas eleições teremos 35 dias de campanha nas rádios e televisões.

Como pesquisador observo se as campanhas nas redes sociais, através dos smartphones terão algum papel relevante, mais precoce, na tomada de decisão por parte da massa de eleitorado, que pouca atenção dá a política, até o momento da escolha dos candidatos, geralmente nos últimos 15 dias de campanha nas rádios e nas televisões.

Algumas teorias da decisão do voto poderão ser testadas nestas eleições, no contexto do uso dos smartphones. Não devemos esquecer, todas as mídias migraram para este computador de mão. Teoricamente, o tomador de decisão eleitoral brasileiro e paraense, é despolitizado, não gosta dos políticos e nem da política, é conservador nos costumes e se posiciona mais à esquerda nos temas econômicos.

Este decisor eleitoral, representa 90% dos eleitores brasileiros, possui uma escolaridade entre o ensino fundamental e médio, possui renda de até dois salários mínimos, vive nas periferias das cidades, 60 é católico e 40% evangélico e possui entre 25 e 69 anos. São estas pessoas com baixo acesso às cidadanias civil, política e social que tomam as decisões eleitorais no Brasil. Ricos e classe média alta, tem baixíssimo peso eleitoral, enquanto nicho de votos.

Do ponto de vista de uma análise estrutural da composição da estratificação social brasileira, são estes grupos com até 5% do eleitorado, que ocupam 70% da representação parlamentar e do poder executivo no Brasil. Isto ocorre porquê no contexto da extrema desigualdade social brasileira e paraense, a decisão do voto se baseia no poder político, econômico e administrativo.

Partidos e segmentos populares e progressista conseguem conquistar mandatos nas disputas para os executivos municipais, estaduais e federais, devido o processo de escolha pela massa da população ser mais fácil. Geralmente se apresentam de 5 a dez candidatos, dentre os quais, está o governante incumbente e seus opositores.

No contexto acima citado, o eleitorado consegue avaliar o desempenho de governo e aprova ou reprova o governante, caso aprove reelege este governante. Quando o corre a reprovação, o eleitorado busca um nome, conhecido, com capacidade competitiva e vota na oposição. As vezes podem aparecer mais de um opositor competitivo.

A situação fica complexa, quando o governante incumbente tenta eleger seu sucessor. Mesmo bem avaliado este governante, tem capacidade limitada de transferência de voto e é por isso que o governador incumbente deve lançar um sucessor que seja competitivo eleitoralmente, sob pena de correr risco de não eleger o seu sucessor.

Nas eleições para a representação parlamentar, a situação é dramática para a maioria da população brasileira e para a legitimidade democrática. O poder legislativo tem baixa aprovação popular e o nosso sistema eleitoral proporcional e de lista aberta tem representado de forma invertida a pirâmide social brasileira.

A dinâmica que vem se repetindo nas eleições de representantes parlamentares tem significado um opção pela necessidade material  e não opção por escolhas libertárias. Nesta situação, a massa de eleitores recebe, por estado da federação, milhares de candidatos a deputados. O eleitor mediano, ou despolitizado, como os daqui do Brasil, não têm como avaliar, nem os deputados incumbentes, muito menos os milhares de candidatos.

Assim, o eleitorado mediano, tem baixa recordação do desempenho parlamentar dos parlamentares eleitos em eleições anteriores, não tem tempo e nem disposição de ir pesquisar o desempenho de 41 deputados estaduais e 17 deputados federais, aqui do Pará. Imaginem como serão escolhidos os deputados no contexto de milhares de candidaturas.

Quer dizer, O eleitorado, por ter pouco apreço pela representação parlamentar, geralmente toma decisões de voto para as disputas eleitorais com base em trocas clientelísticas, que é típica da escolha de parlamentares em sociedades muito desiguais, como a brasileira. Normalmente vemos  parlamentos estaduais, como o do Pará, serem ocupados por 70% de representantes de partidos de centro direita. A massa de despossuídos, sem perceber, vota em seus próprios algozes.

Quando a pobreza exacerbada impera, os poderosos, travestidos de representante popular sempre conseguem amealhar o voto dos eleitores pobres e despolitizados. Dentro do parlamente estes lobos vestidos de ovelha, se colocam contra políticas sociais e aprovam medidas que visam transferir recursos públicos para iniciativas empresariais ou para os seus próprios bolsos, através de partilhas de suas emendas parlamentares ou de obras conveniadas com o poder executivo.

Quem vai vencer as eleições para o governo do Pará? Quem convencer a população que representa a melhoria das condições de vida para a população, inserida nos municípios paraenses. O governador Helder, após deixar o governo bem avaliado, tentará transferir votos para a sua candidata Hana Ghassan, mas esta candidata tem que demonstrar capacidade de ter “raia” própria para conquistar novos eleitores que lhe garanta a maioria de votos.

Daniel conta com uma história de bom desempenho à frente da segunda maior prefeitura do Pará (Ananindeua), além de seu capital político pessoal conta com o apoio da extrema direita e boa parte dos evangélicos, representados pela articulação do senador Zequinha Marinho. Daniel também conta com o fato de o grupo hegemônico no governo do Pará, representado pelo MDB, está há oito anos no governo e também conta com a prefeitura de Belém. O discurso da renovação e da alternância de poder tem grande efeito nos grandes centros urbanos.

Hana Ghassan conta com a gigantesca máquina política e administrativa estadual, com uma enorme coligação eleitoral. Hana tem contra sí, o fato de nunca ter sido eleita nem para o parlamento e nem para chefiar um poder executivo. Daniel tem contra sí os enormes escândalos de desvios de recursos públicos e que estão sendo apurados pela Polícia e pelo Ministério Público.

O debate sobre moralidade pública tem grande repercussão nas classes médias e na intelectualidade, portanto, num segmento bem minoritário da população. Portanto, quem deve ganhar as eleições no Pará vai depender de como os principais candidatos vão lidar com suas fragilidades pessoais e de como vão traduzir suas realizações como governantes.

Caso as elites políticas locais se engajem fortemente nas disputas locais, a relação situação versus oposição dividirão grande parte do interior do Pará. Nestas circunstâncias, serão os grandes centros urbanos que decidirão as eleições, e aí, as máquinas administrativas e econômicas terão grande peso.

 

 

 

 

 

 

 

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