De dois em dois anos temos eleições no Brasil. As eleições mais complexas são as disputas legislativas, uma vez que no Brasil o sistema eleitoral é proporcional e de lista aberta, quer dizer, cada candidato funciona como se fosse um partido político, uma vez que o candidato mais votado é que conquista um assento parlamentar, e como dizia Maurice Duverger, a tendência deste sistema eleitoral proporcional é produzir múltiplos partidos.
Neste momento de disputa legislativa o mercado eleitoral é invadido por diversos tipos de profissionais que se apresentam como “especialistas” em competição eleitoral. O primeiro especialista é o próprio candidato, que acha que com sua vasta experiência é capaz de conquistar os votos de que precisa e sem precisar de nenhum cientista da área.
Mas também encontramos outros especialistas em eleições que acham que se ganha, uma eleição proporcional trabalhando apenas com marketing eleitoral. Imaginem uma eleição para deputado com mais de 500 candidatos, alguém que é desconhecido ou pouco conhecido, vir a conquistar voto tão somente “montado” em uma estratégia baseado no marketing eleitoral.
Outros candidatos acreditam piamente que o voto se resume à troca clientelista em vésperas das eleições, e seis meses antes do pleito, passam a distribuir “discretamente”, cestas básicas de alimentos, materiais de construção, ou montam um exército de formiguinha com milhares de formiguinhas, nas franjas da legislação.
Outros acreditam que um candidato, por possuir fartos recursos econômicos, pode combinar marketing eleitoral com distribuição de bens clientelístico em véspera de eleições. Todos não gastam recursos com informação, que seria “cara”, mas não se furtam em disponibilizar milhões de reais, na boca de urna, como um método prático para ganhar votos.
Hoje as eleições ´parlamentares se tornaram menos difíceis para quem já possui um mandato e que dispõe de emendas parlamentares impositivas. Nestas condições, este candidato já inicia corrida eleitoral bem posicionado, se durante seu mandato produziu resultados palpáveis para suas bases eleitorais, divulgou este trabalho e se dedicou periodicamente em visitar suas bases, ajudou seus líderes de ruas, bairros e comunidade em suas vidas políticas locais.
Agora, para alguém que está lutando por um primeiro mandato parlamentar estadual ou federal, “o jogo é mais embaixo”. Primeiro ele tem de saber, que cada vez mais, os deputados incumbentes dominam a mecanismo de conquista de votos, mais difícil fica grandes mudanças dentro das assembleias legislativas. Hoje eu cálculo que teremos uma renovação de 40 a 45% na ALEPA e de 30% nas vagas para as Câmara de Deputados, aqui no Pará.
Isto, posto, o primeiro trabalho de um candidato que busca o primeiro mandato, é dominar as regras que organizam a competição eleitoral. O segundo passo é ter uma história reconhecida de representação em sua cidade ou região. Terceiro passo é estar monitorando, através de pesquisa o desempenho de cada deputado com mandato, para conhecer os elos mais fracos da representação atual no poder legislativo.
O quarto passo é articular, muito antecipadamente, nos municípios que disponham de alta densidade eleitoral, para organizar uma projeção de pelo menos 80% de votos a serem conquistados nestes locais, e complementar os demais 20%, com outras estratégias eleitorais em outras regiões do estado, para atingir o coeficiente eleitoral. Quinto, buscar apoio em agentes coletivos, grupos de interesse que vierem a ajudar materialmente e eleitoralmente na jornada eleitoral.
Sexto, ter sempre informação sobre o desempenho do prefeito, dos deputados da região e do governador incumbente, para traçar uma estratégia discursiva de apoio ou de oposição para apresentar ao seu eleitoral nos dois últimos anos antes das eleições. Aqui, informação não será entendido como custo, mas como investimento.
Sétimo, entender que numa disputa eleitoral parlamentar serão encontrados uma diversidade de eleitores a serem conquistados: os politizados, que são aqueles que conhecem o mundo da política e se colocam próximo à uma ideologia política. Temos outros eleitores que estão organizados em entidades associativas, estes buscam melhoria para a rua, para o bairro e para a cidade.
Oitavo, existem os leitores alienados, que não gostam da política e nem dos políticos, estes eleitores estão dispostos a votar em quem melhorou as condições de sua rua, bairro ou cidade. Nono, existe o eleitor cético, que não acredita em nenhum político, mas se dispõe a votar em quem lhe disponibilizar bens materiais imediatos, tipo: materiais de construção, empregos temporários e ou recursos financeiros diretos. Estes eleitores só decidem o voto nas vésperas das eleições, são 20 do eleitorado e são “fieis” em que “der” mais.
Outra preocupação dos neófitos em disputa eleitoral e que dispõe de recursos é estar preparado para indústria de mercadores de votos. São os autodefinidos lideranças costumeiras das eleições ou cabos eleitorais, que apresentam enormes cadastros eleitorais, são especialistas em montar pateias para receber a visita de candidatos e saem das eleições abastecidos de recursos e os candidatos saem desiludidos com os votos que não apareceram.
Logicamente, que existe um grande espaço para o marketing eleitoral, para a assessoria especializada e experiente, que montará uma estratégia de massificação de um nome, pois o voto para eleições parlamentares obedece a lógica do personal vote, ou do voto personalizado. Não se iludam, nenhum candidato às disputas proporcionais se elege, tão somente, com plataformas eleitorais. Ele deve eleger uma ou duas bandeiras de luta, com base em sua história e levar aos seus pretendidos eleitores.
E para finalizar, uma informação: os eleitores, no mundo inteiro, onde existe competição eleitoral livre, buscam eleger parlamentares realizadores, nenhum deputado tem sucesso se não combinar, representação, proposição de leis, fiscalização do executivo, com resultados, em obras para as suas bases eleitorais. Em democracias desenvolvidas, como no Brasil, nenhum candidato se elege se não possuir fortes recurso: políticos, organizativos, financeiros e com história de vida na representação de municípios, regiões do estado ou, bancado por algum grupo de interesse econômico.
Tenho dito.



