
Como assíduo observador da política nacional e estadual acompanho o intenso debate nos meios de comunicação, notadamente nas redes sociais sobre as disputas eleitorais, as estratégias dos partidos e candidatos e as críticas, de lado a lado.
Neste momento temos a hegemonia política compartilhada do MDB, comandada pelo clã Barbalho, na política paraense, que diga-se de passagem, foi obtida através das vitórias eleitorais, tanto ao o poder executivo como para o poder legislativo. Acabamos de assistir uma longa hegemonia política do PSDB, que durou de 1994 a 2006 e de 2011 até 2018, portanto 5 eleições.
Atualmente, a alternativa à hegemonia Barbalho é uma coalizão entre a direita e a extrema direita com o ostensivo apoio do agro negócio e das classes médias conservadoras. É neste contexto que pergunto: a esquerda deveria traçar um caminho próprio no Pará, à revelia da grande disputa nacional pelo governo federal, hoje sobre precária maioria do PT na sociedade e com ampla minoria dentro do congresso nacional?
O PT, como em qualquer partido de esquerda, com tradição em admitir abertamente e conviver com divergências expressas nas diversas correntes de pensamentos internos, vive o debate sobre construir um caminho longe do clã Barbalho, que é um grupo do centro político ideológico, ou seja, transita muito bem entre a esquerda e a direita e que vêm dando suporte político no plano nacional ao governo petista.
O governo Helder cometeu e corrigiu erros graves em relação à aliança com o PT, ao aprovar políticas setoriais que criaram grandes constrangimento ao PT, como foi o caso da lei aprovada em dezembro de 2024 que atingiu o estatuto do magistério, mas que depois de grandes conflitos sociais, comandados pelo sindicato dos professores e fundamentalmente pelas nações indígenas, esta política foi revogada.
Neste episódio o governo Helder expôs muito as correntes majoritárias petistas que sustentam a política nacional no estado do Pará, deixando estas correntes e suas lideranças a mercê dos grupos minoritários petistas que exigem o afastamento do PT do apoio ao governo Helder. Hoje, nos debates atinentes à sucessão de 2026 no Pará, os grupos minoritários possuem muito combustível para fragilizar a política majoritária, dentro dos encontros e congressos do PT.
Se não bastasse este grande desgaste impostos aos grupos majoritários petistas pelo governo Helder, o prefeito municipal, no apagar das luzes do ano de 2025, aprovou um pacote legislativo, sem prévias discussões com a sociedade e com os segmentos a serem atingidos, aprovou grandes reformas nos estatutos do magistério municipal e na dinâmica dos impostos municipais, oferecendo enormes munições para que os aliados do MDB dentro do PT, estejam novamente sob fogo cruzados das correntes minoritárias petistas.
O PT estadual está claramente comprometido com a política do diretório nacional do PT, que tem como fulcro de sua estratégia a reeleição do governo Lula, cabendo aos diretórios estaduais ampliarem a base eleitoral do governo Lula, ou no mínimo manterem o que já foi construído, desde o segundo turno das eleições de 2022. Neste sentido os diretórios estaduais estão firmemente imbuídos de manter a aliança estaduais amplas para garantir apoio, social, político, legislativo e partidário para a candidatura Lula em 2026.
A decisão do MDB em tentar ou mesmo remover direitos da categoria profissional mais organizados do Pará terá custos altíssimos para estratégia eleitoral do MDB no Pará. A candidatura do PSOL que normalmente abiscoita 5% nas eleições estaduais, no contexto da fragilização política do PT paraense nos movimentos sociais, a partir do ataque aos professores estaduais, municipais e ao funcionalismo público da capital, poderá ver a candidata psolista chegar a patamar eleitoral inimaginável, tipo 10 a 12%.
Como temos dois respeitáveis candidatos da oposição à direita, Daniel Santos e Mário Couto, as probabilidades de um segundo se colocam como um horizonte perfeitamente plausível nas eleições de 2026 no Pará, num contexto de enorme equilíbrio entre as candidaturas Hana, Daniel e com o crescimento da candidatura Couto.
Portanto, em anos pré-eleitoral como o foi em 2025, todas as decisões que possam ferir aliados e potencializar partidos de oposição, tem de ser calculado e recalculado. Agora o MDB, sofrerá tensões mais agudas nas eleições de 2026, a partir de tomada de decisões erradas. Bom, este é mais um cenário possível que eu estou sinalizando, se vai acontecer ou não, saberemos dentro de oito meses.



