Na semana passada foi divulgada a pesquisa QUAEST para o governo do estado e senado federal. Farei estes comentários relacionado a esta pesquisa porque estes dados dialogam com outras pesquisas divulgadas e por que este instituto não realiza pesquisa financiada por grupos envolvidos diretamente nas disputas eleitorais.

1-GOVERNO ESTADUAL: dado importante.

Há 150 dias da competição eleitoral de 2026 a pergunta que mais fala sobre a temperatura da campanha é a ESPONTÂNEA, onde não são apresentados os nomes das possíveis candidaturas para os cargos majoritários (presidente, governador e senador). A pergunta espontânea revela que 85% do eleitorado ainda não tem candidato para o cargo de governador.

Este dado confirma o conhecimento acumulado a partir de pesquisas em ciência política, que revelam que o eleitor mediano, que representa 80% da população, só se volta para tomar a decisão de voto a partir do momento que começa a campanha nos meios de comunicação de massa.

As tendências eleitorais reveladas pelas perguntas ESTIMULADAS, aquelas onde são apresentados nomes aos entrevistad@s, ainda revelam que 30% das pessoas ouvidas  ainda não tem candidato e outros 13%  revelam que vão votar branco ou nulo. Quer dizer que as preferências eleitorais ainda estão longe de estarem consolidadas.

Outro fato marcante, é que 34% dos entrevistados estão fugindo da polarização direita-esquerda no estado Pará. Os chamados eleitores independentes, se recusam a se autodenominar lulistas ou bolsonaristas. Mas todos sabemos que a oferta de candidaturas independentes, com poder eleitoral não devem ter poder competitivo por fora do sistema partidário vigente, aqui no nosso estado.

Isto quer dizer que quem ganhar este eleitor independente tem grande chance de vir a ser o futuro governador do Pará. A candidata do governo (Hana Ghassan) e da Oposição ( Daniel Santos) dificilmente fugirão desta polarização, haja vista que suas candidaturas podem ganhar embalo ou não, dependendo da vinculação com os principais candidatos presidenciais ( Lula e Flávio Bolsonaro).

Possivelmente, os eleitores independentes não verão surgir uma candidatura competitiva por fora desta polarização ideológica e tenderão a deslocar seu voto para a candidatura competitiva que demonstrar um posicionamento mais moderado. Enfim, candidatura sem um forte apoio partidário e de máquinas eleitorais e que não dispunham de tempo em rádio e TV, deverão ver suas candidaturas ficarem esvaziadas.

Dito isso, posso dizer que deverão votar 5 milhões de eleitores, devido a taxa histórica de 20% de abstenções e 5ª 7% de votos brancos e nulos. Dois terços do eleitorado estão inseridos fora da região metropolitana de Belém. O marketing eleitoral deverá atingir fortemente os centros urbanos de grandes cidades como: Belém, Ananindeua, Marabá, Santarém, Altamira e em cidades com mais de 200 mil moradores.

 

Nas demais cidades, que devem perfazer 50% do eleitorado o que vai prevalecer é a campanha de infantaria (de rua) e a troca política clientelística, que é muito comum onde existe enorme assimetria social, como é o caso do Pará, que acolhe 2 milhões de famílias, destas,  900 mil, recebem apoio de políticas sociais compensatórias do governo federal.

Isto que dizer, que se a eleição estiver muito disputada e em situação de empate, será o peso das máquinas, de governo estadual e municipal, orçamentária e financeira que tenderão a ter influência decisiva no resultado eleitoral. Porém, só teremos uma tendência real das disputas há 30  dias das eleições.

2-SENADO FEDERAL.

A pesquisa QUAEST revela que a primeira vaga ao senado federal já está bem encaminhada em direção ao ex-governador Helder Barbalho. Por outro lado, a disputa pela segunda vaga ainda parece claramente em aberto. Os candidatos tem a seguinte intenção de voto: Eder Mauro 13%, Zequinha 6%, Celso Sabino 6%, Chicão 4%. Em outras palavras, a segunda vaga está longe de estar com tendência clara de definição.

Os candidatos mais bem posicionados (Zequinha, Celso Sabino e Eder Mauro), são mais lembrados devido à notoriedade, uns já disputaram cargos majoritários (Zequinha e Eder Mauro) e Celso Sabino acabou de ocupar um cargo de grande destaque no ministério do governo Lula. Já o candidato Chicão é o menos conhecido de todos, pois nunca disputou um cargo majoritário.

A eleição para a segunda vaga ao senado será muito disputada e deverá chegar próximo ao dia das eleições muito “parelha”, quer dizer, quem tiver mais fôlego partidário e de máquinas de governos, poderá obter enorme impulso eleitoral. Não esqueçamos do perfil demográfico e social do eleitorado paraense.

 

 

 

 

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