Na ordem do dia da discussão política está as questões que envolvem a candidatura Lula, ou não, à presidência da república. Parece que existe consenso de que Lula é a principal expressão política brasileira desde a redemocratização brasileira de 1985. Hoje o dilema envolve a possível condenação de Lula em segunda instância pela justiça federal, o que a priori o tornaria inelegível para as eleições de 2018.

Em pesquisa recente divulgada pelo Data Folha mapeou-se o destino dos eleitores de Lula numa eventual impossibilidade de Lula vier a disputar as eleições presidenciais de 2018 no Brasil. Verificou-se que 1/3 dos eleitores de Lula votariam em um candidato indicado por Lula, 1/3 migraria para a candidatura Bolsonaro e outro terço final se transformaria em eleitores flutuantes, ou seja, votos sem direção definida.

A primeira conclusão óbvia a que chegamos é de que Lula ocupa em 2/3 das probabilidades um espaço majoritário dentre o eleitorado mediano, em outras palavras, o eleitor mediano não se guia por partidos ou ideologia. O eleitor mediano brasileiro se localiza no centro conservador na sociedade brasileira e é pragmático e grato ao bem feitor.

O eleitor mediano corresponde aproximadamente em 90% do eleitorado e  transversaliza todas as classe sociais,  todos os níveis de escolaridade, todos os sexos e todas as faixas etárias. Daí ouvirmos nas redes sociais expressões deprimidas, do tipo: “só no Brasil é que temos pobres que votam na direita”. É óbvio que não é somente no Brasil que este fenômeno ocorre.

A grande questão que está colocada para os analistas de política eleitoral é: num provável impedimento jurídico da candidatura Lula qual o destino deste eleitorado? Hoje eu diria, 1/3 destes votos irão para onde Lula apontar, como 1/3 tende a ir para outro candidato competitivo, pode-se dizer que estaria disponível uma parte do último terço de eleitores flutuantes que votam em Lula. Dito de outra forma, caso o candidato de Lula tenha o perfil centrista e com apoio de máquinas partidárias, este candidato poderia passar ao segundo turno.

Portanto, não podemos afirmar a priori que a eleição se polarizará no Brasil entre um lulista e um não lulista. Esta assertiva poderia se concretizar se o candidato de Lula não fosse um petista e nem um esquerdista. Para o candidato de Lula chegar ao terço flutuante mediano conservador, este candidato teria de ter um perfil como de Roberto Requião ou coisa análoga.

Caso Lula lance um candidato petista, ou com perfil, hoje, de esquerda como Ciro Gomes, eu diria que este candidato seria muito forte, mas as eleições não se bi polarizariam, mas sim, provavelmente se tri polarizariam, entre um candidato de centro, um candidato de esquerda e um candidato claramente de direita, e os finalistas seriam conhecidos a partir de um primeiro turno muito disputado. Neste cenário de tri polarização caso o candidato lulista passasse ao segundo turno, suas chances de vitórias seriam menores frente à um candidato de centro direita e maiores frente a um candidato de direita.

Eu diria que, caso Lula lance um candidato de centro, competitivo, teríamos grande chance de vermos as eleições polarizadas entre um candidato lulista e um outro candidato de centro ou de direita, mas que tenha forte apelo ao centro, ou seja, alguém que fuja do discurso extremista, Quem for para o extrema perde potencial de disputa, pelas características estruturais do eleitor mediano brasileiro.

Caso Lula venha a disputar as eleições presidenciais, Lula passa a ser favorito, inclusive sua vitória seria mais fácil em primeiro turno. Um segundo turno, mesmo com Lula, a eleição ficaria mais indefinida, devido a grande polarização ideológica, artificial que seria forjada pela candidatura de centro direita ou de direita.

Tenho dito.

 

 

 

O controle inflacionário e a queda dos juros, apontam para uma agenda que em muito favorecerá quem souber surfar na onda da insegurança  e da corrupção que vem dominando a atenção popular nos últimos 3 anos no Brasil. Assim, muitos políticos medíocres estarão “travestidos” de Santos e Xerifes, mesmo que na realidade não passem de hipócritas.

Não há dúvidas de que os temas que mais interessariam aos setores mais pobres da sociedade, que perfazem 50% da população referem-se à desigualdade social, funcionamento dos serviços públicos nos municípios, aí compreendidos: saúde; educação; segurança; saneamento e geração de emprego e renda.

Não tenho a menor esperança de que no contexto de um congresso nacional  de centro direita (70%) venha a emergir uma agenda pública centrada na distribuição de renda, na construção de um novo pacto federativo em favor dos estados mais pobres do nosso país e numa reforma tributária em favor dos municípios. No contexto de Ditadura  ou de Democracia esta realidade jamais foi alterada no Brasil.

Portanto, falar em melhorar a vida do nosso povo, só será possível se o governo federal se coligar aos governos estaduais e municipais em torno de uma agenda agressiva para fazer com que emerja nos municípios brasileiros, especialmente no norte, nordeste e centro-oeste  milhões de micro e pequenos empresários e prestadores de serviços urbanos e rurais.

Claro, esta iniciativa se inscreve no entorno de uma política nacional de geração de emprego e renda tendo como ponto de partida uma política creditícia, uma política de apoio à qualificação dos futuros empreendedores e iniciativas que ajudem na circulação destes produtos em nível estadual, nacional e internacional. No Pará, em cada microrregião existe diversas potencialidades econômicas  a serem evidenciadas e apoiadas.

Isto posto, creio que os candidatos e partidos que lutem pelo enriquecimento  do povo brasileiro em sentido amplo, não podem ficar “escravos” da agenda  midiática que  vem inserindo na percepção popular a noção de que a insegurança e a corrupção sejam a bandeira central da próxima corrida eleitoral e como tal,  do próximo governo.

Mas esta batalha não é fácil. Os candidatos vinculados a abordagem oportunista da agenda política tenderão a mergulhar no discurso moralista e na barbárie das soluções simplistas para os complexos problemas que estão em torno da violência que vem assolando a nossa sociedade local e nacional.

Mas se é verdade de que os problemas centrais do Brasil estão relacionados à desigualdade social, à falência dos serviços públicos e `falta de oportunidades de emprego e renda na esfera local, é verdade também, que ser honesto é pressuposto para assumir qualquer cargo público. Daí, de que os candidatos a cargos majoritários que estejam claramente vinculados a denúncias formais de envolvimento com escândalos de corrupção terão enormes dificuldades em prosperar no Brasil no contexto da Ficha Limpa e da Operação Lava Jato.

As últimas pesquisas estaduais que tive acesso  indicam que mais de 60% do eleitorado não pretende votar em candidatos ao governo do estado que estejam  denunciados pela operação Lava jato. Esta  rejeição  transversaliza escolaridade; faixa etária; religião; renda; sexo e regiões de moradia.

 Portanto, ser um candidato denunciado na Operação Lava Jato, criará enorme dificuldade para qualquer candidato a cargos majoritários, seja ele, a presidente, governador ou a senador.

 Para as eleições proporcionais, deputados federais e estaduais, esta realidade fica um pouco mitigada pela forma como estes políticos são eleitos. A população vota em centenas de candidatos às assembleias legislativas e câmara dos deputados e não tem instrumento de veto eleitoral destes candidatos. Somente uma campanha bem elaborada nas redes sociais poderiam ter boa influência no eleitorado, notadamente, o eleitor urbano das grandes cidades que têm mais acesso à internet.

Cabe aos candidatos e partidos comprometidos com uma agenda de transformações estruturais para a realidade de nossa população que tragam ao debate público temas centrais para a mudança de vida de nosso povo. Logicamente, em disputa eleitoral as potencialidades e as fraquezas de cada candidato majoritário serão exploradas.

Assim, quem estiver denunciado por corrupção estará em extrema dificuldade eleitoral. Por outro lado, esta eleição quer renovação política, o eleitor claramente tenderá a passar ao largo de políticos “manjados”. Portanto é uma eleição que promete trazer muitas novidades para nas disputas para o senado e para os governos estaduais e federal.

Mas as disputa eleitorais funcionam como um mercado. Ou seja, o povo está propenso a votar em novidades políticas, mas se na “prateleira” da escolha eleitoral só forem ofertados políticos profissionais e candidatos sem potencial de disputa, então o eleitorado se voltará para escolher o menos ruins, e optará por aquele que for considerado competitivo e que represente uma alternativa menos corrupta.

 

 

 

 

 

Já é do conhecimento da comunidade política paraense as divergências  entre o governador Simão Jatene e o vice governador Zequinha Marinho. Estas divergências vieram a público quando o governador Jatene externou ao vice-governador sua estratégia para a eleições de 2018.

Esta estratégia se consubstanciaria na renúncia conjunta de Jatene e Zequinha aos cargos de governador e vice com a ascensão do presidente da assembleia legislativa, Márcio Miranda ao cargo de governador, que se lançaria imediatamente candidato à reeleição. Jatene seria candidato ao senado e Zequinha teria apoio para a reeleição de sua esposa à câmara dos deputados. logicamente que Marinho teria outras compensações políticas para fechar, globalmente, com as estratégias elaboradas pelo governador Jatene.

Mas Jatene recebeu resposta negativa de Zequinha à estratégia proposta. Zequinha apresenta um conjunto de argumentos que embasam sua negativa à proposta do governador do Pará. Zequinha afirma que foi solenemente ignorado como ator político nos últimos três anos e como tal, não está disposto a colaborar com as estratégias propostas pelo governador.

Zequinha tem externado aos seus interlocutores que espera assumir o governo, numa eventual saída de Jatene e lançar-se à reeleição ao cargo de governador. Jatene já expressou que este cenário é nulo, e que prefere ficar no governo até o final de seu mandato e contribuir para a eleição de um sucessor de confiança.

Este texto pretende examinar, à luz da razão as reais alternativas políticas do vice-governador Zequinha Marinho e as consequências de sua decisão para o seu futuro político e de seu grupo.

1-Zequinha Marinho não renuncia ao cargo de vice-governador, se lança ao senado em aliança com a oposição de Helder Barbalho do PMDB-  Decisão de grande risco. Imaginem um vice- governador ligado a chapa do PSDB se lançar ao senado em aliança com o candidato do PMDB. Será que o eleitorado concordará com um vice traíra, perante a percepção popular?

Por certo a máquina midiática ligada ao bloco do PSDB terá de buscar anular os resultados eleitorais desta aliança. A estratégia passará pela demonização do vice-governador como alguém que trocou de lado às vésperas das eleições, ou seja cuspiu no prato que comeu. O exemplo mais nítido de desconstrução deste tipo de estratégia  deu-se nas eleições de 2014, quando o radialista e apresentador de TV Jefferson Lima deixou de apoiar Jatene e passou a apoiar Helder.

O resultado eleitoral foi que Helder perdeu voto,  no segundo turno, na região de Belém e Ananindeua, depois de uma mega campanha do bloco governista que o taxou de “traidor”. Ou seja, o eleitorado não perdoa vira casaca. Esta estratégia de Zequinha é de altíssimo risco, tanto para si como para Helder.

2-Zequinha fica no governo até o final e mantém-se neutro na disputa eleitoral- Esta estratégia, por si só, é um “chega pra lá” em Jatene, pois deixaria o governador sem mandato a partir de 2018. O resultado prático seria a transformação do governador em seu inimigo declarado, e como tal, apoio político e material à reeleição de Júlia Marinho seria nulo, e de quebra, ações política para cooptar as bases desta candidata por certo ocorreriam e que poderiam levar esta candidata à uma eventual derrota eleitoral.

3-Zequinha fica no cargo e se lança ao senado em apoio à chapa de Márcio Miranda- Com esta decisão Zequinha apostaria em ter o apoio pessoal do eventual candidato do bloco governista, Márcio Miranda e evitaria ser taxado de vira casaca. Mas em termos práticos Zequinha continuaria deixando Jatene inelegível, e como tal não contaria com a máquina do governo à sua disposição ou de sua esposa Júlia Marinho. Os riscos para o futuro político de seu grupo continuariam altos.

Qual o melhor cenário para o vice-governador Zequinha Marinho?

Zequinha está no meio de um jogo político, que neste momento está carregado de irracionalidade, a paixão está se sobrepondo à razão. O melhor cenário deveria comportar dois momentos integrados entre sí: garantir o futuro político do vice-governador e manter o espaço político conquistado nos últimos 4 anos. Dito de outra forma, Zequinha teria de conquistar um mandato eletivo e resguardar o espaço de seu grupo político, incluindo espaços para a deputada federal Júlia Marinho.

Isto posto, Zequinha poderia se candidatar a deputado federal e Júlia Marinho seria candidata a deputada estadual ou vice versa. Neste cenário Zequinha poderia construir sua estratégia, tanto em aliança com o bloco governista como com o bloco oposicionista comandado pelo PMDB. Zequinha só teria de calcular os custos e benefícios da escolha do lado por onde combater nas eleições de 2018.

Além dos cálculos políticos sobre qual é o melhor cenário para Zequinha e seu grupo, o vice- governador deve ter uma clara análise dos cenários que permearão a conjuntura da disputa de 2018 para o governo do estado e para o senado. Qual o peso que a Lava Jato e a Ficha Limpa terão na conjuntura das eleições de 2018 em nosso estado?  Qual o peso que a extrema rejeição de Temer terá sobre os candidatos ao governo e ao senado no Pará em 2018?

De fato, existem poucos cenários favoráveis à disposição do vice-governador, o que tem-se de medir é por onde as chances se ampliam e por onde estas se retraem.

 

Tenho dito.

 

 

 

 

 

Todo o conhecimento produzido pela humanidade, multiplicou-se em escala exponencial nos últimos 30 anos. A revolução científica e tecnológica iniciada a partir do início da década de 1980 não para um só dia. Inventos fantásticos no campo da eletroeletrônica, informática e robótica ficam obsoletos em questões de meses.

No terreno das ciências sociais existe uma corrida para tentar entender e oferecer explicações para a nova sociedade que está emergindo no interior deste contexto volátil. Parece que cada vez mais crises sistêmicas ou setorizadas em países chaves dos sistemas econômicos mundial têm repercussão direto nos demais países do globo.

O mundo se relaciona cada vez mais em rede, seja a rede de Estados, como os blocos de países, seja em rede a partir das articulações da sociedade civil mundial, que se articula a partir de grandes questões como: meio ambiente, trabalho, criança e adolescentes, educação, cultura, Direitos Humanos, Saúde, etc.

Todos os países devem se comportar à luz da interdependência global. Falar hoje em propostas de um nacionalismo autárquico para enfrentar crises como da imigração, mercado de trabalho e violência, significa respostas superadas para macroproblemas globais que incidem diretamente sobre cada país, principalmente, os centrais.

Mesmo no contexto da interdependência irreversível, nenhum Estado, mesmo aqueles que se autodenominam de ultraliberais, como os Estados Unidos, deixam de proteger sua indústria, seu mercado e sua sociedade.  No início do século XXI podemos afirmar que existiram diversas experiências de sociedades bem-sucedidas.

Desde a experiência americana tendo por base um Estado Liberal, até a Suécia e seus vizinhos, tendo por base Estados de Bem-Estar Social, podemos concluir que pode-se chegar a uma boa sociedade a partir de modelos distintos de Estados. E mais, modelo estatal ou liberal ascenderam no interior de determinada estruturação ou reestruturação do sistema econômico mundial.

Nos primórdios do sistema capitalista, o liberalismo clássico baseado na concorrência predadora e na força militar impulsionou a Inglaterra e depois os Estados Unidos como potências hegemônicas. A partir da competição darwinista entre os países eclodiu a primeira e a segunda guerra mundial e com ela foi catapultada a noção de que as forças do mercado são capazes de produzir uma sociedade bem ordenada.

A partir do crash da bolsa de Nova York e da primeira e da segunda guerra mundial emergiram novos modelos de governo, agora baseados no Estado: fascismo, nazismo, socialismo soviético e Social Democracia foram resposta à falência do Estado Liberal Clássico. O estatismo passa a ser um modelo hegemônico na Eurásia e em países periféricos do sistema econômico mundial. Até nos Estados Unidos, em 1933, surgiu o New Deal.

No mundo capitalista o modelo estatista entra em crise a partir dos anos 80 do século XX, tendo como consequência a onda neoliberal, em escala global que atingiu a Europa, EUA e América Latina. Esta crise leva de roldão a União Soviética e seus satélites na Europa do Leste. Esta onda neoliberal chega ao fim na primeira década do século XXI. E assim reinicia um círculo do fortalecimento dos modelos estatistas, que parece estar em ocaso cíclico.

O ciclo de governo socialistas, social democratas e trabalhistas dominou a Europa, a América Latina e os Estados Unidos na primeira década do século XXI. Com a incapacidade destes governos em oferecer soluções satisfatórias às suas sociedades está em curso uma nova onda liberal e direitistas na Europa, Estados Unidos e América Latina.

Neste momento vivemos uma crise inédita nos governos dos países do centro e da periferia do sistema econômico mundial. Alternativas à direita, à esquerda e ao centro não conseguem mais dar resposta minimamente duradoura à suas sociedades. A esquerda não consegue mais produzir políticas sociais por causa da escassez de recursos. A direita não consegue cortar gastos para viabilizar seus governos de austeridade porque os congressos, presos à lógica eleitoral não aceitam assumir os ônus das políticas impopulares, assim todas as medidas de arrocho são mitigadas.

Os políticos, os governos e os partidos ainda não perceberam que estas crises em cursos não conseguem se enfrentadas e debeladas no interior dos governos nacionais, porque esta crise não tem origem endógena, mas exógena. Mesmo que se faça todos os ajustes possíveis, mesmo assim não resolve a questão de fluxo e refluxo de mercadorias, capitais e da divisão internacional do trabalho.

O primeiro pressuposto para um governo nacional pensar em enfrentar a crise é ter a clareza que esta situação só se enfrenta a partir de uma organização em rede, tanto em nível de Estado, governos, como em nível da participação ativa na sociedade civil internacional organizada em rede. Não é possível que se deixe que instituições isoladas como Banco Mundial, FED, FMI, OTAN e Corporações Multinacionais continuem a ditar, sem controle social, a agenda econômica, ambiental e social mundial.

Os governos dos Estados Nacionais devem ser cada vez mais ativos na proteção de seus interesses econômicos, sociais, ambientais e políticos em escala supranacional. Assumir posições políticas internacionais a partir discursos ideológicos  ingênuos nas relações entre os países é o mesmo que se retirar das disputas em torno de recursos escassos no campo dos capitais, dos mercados, do trabalho e de uma frente civilizatória em defesa da democracia e dos Direitos Humanos em escala planetária.

A sociedade brasileira hoje vive a antítese de tudo aquilo que se refere a ter um governo e um presidente que esteja atento a este diagnóstico holístico das situações dos governos nacionais em escala global. Nosso presidente vive a conspirar contra o patrimônio público estratégico a partir de discurso arrecadacionista.

Nosso governo deixa de se posicionar como mediador nos conflitos regionais da américa latina e se posiciona como um ator que agride os governos vizinhos ao se imiscuir em questões internas. Enquanto isso, o Brasil perde espaço no G-20 e é ignorado no G-8. De fato,  estamos na contramão da conjuntura global. Que 2018 chegue urgente e leve com ele este comandante do exército de brancaleone.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*[1]Edir Veiga

As eleições de 2018 no Brasil será diretamente influenciada pelos acontecimentos políticos que emergiram nos últimos quatro anos no mundo ocidental e no Brasil tendo como pontos de referências, no plano externo, a mundialização das relações econômicas e políticas e seu reflexo nos Estados nacionais e a crise do ciclo dos governos sociais na Europa, EUA e América do Sul.  No plano interno, a operação Lava Jato, o golpe parlamentar contra a presidente Dilma e a ascensão de Michel Temer ao governo central.

Nenhum projeto nacional pode estar desvinculado das novas interações e processos que vem se consolidando nas relações internacionais consubstanciados nas estruturação de relações de poder mundial impulsionado por dois processos concomitantes: a mundialização de decisões econômicas que incidem diretamente sobre Países da periferia do capitalismo mundial e a transformações nas relações sociais a partir da emergência de sociedades estruturadas em redes sociais fundada na individualização extrema de vida e valores.

Efetivamente, decisões estratégicas para as sociedade nacionais têm sido tomadas por atores e instituições financeiras. Assim, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, Banco Central Americano, organizações financeiras e econômicas regionais, corporações transnacionais tomam decisões que estão desprovidas de controle social e que tem efeitos avassaladoras para os Estados nacionais.

 A formação do preço do câmbio, os preços das commodities a exemplo do petróleo, soja etc, protecionismo de base sanitária, decisão de investimento em energias que geram impacto ambiental são exemplos marcantes de tomada de decisões que impactam negativamente os governos nacionais.

Qualquer governo ou candidatos a governar um País deve apresentar esta discussão à sociedade. Efetivamente, precisa-se de articulações supra nacionais, tanto dos Estados nacionais, como das sociedades civis. Para controlar decisões que afetam diretamente cada País é fundamental que a sociedade civil se articule no plano regional e internacional para atuar decisivamente no enfrentamento de decisões de instituições que impactam diretamente as sociedades nacionais.

No plano dos Estados nacionais é decisivo a definição de uma política local (Merco Sul), regional (das Américas) e global (relação Sul-Norte e Sul-Sul) para que o Brasil tenha força a partir de organizações estatais regionais e mundial na tomada de decisões econômica, sociais, políticas, ambientais e Humanitárias que repercutem decisivamente na vida dos povos.

Neste momento, o governo Temer parece não entender a determinação que a as relações externas têm nos destinos das políticas internas. Ou seja, os ajustes fiscais internos, representam apenas um aspecto relacionado ao complexo sistema que incidem sobre as relações comerciais no plano internacional, e que não é o central para o fluxo positivo da presença do Brasil no mundo dos negócios e da política.

A enorme crise econômica e política enfrentada no início do segundo governo Dilma está diretamente relacionada à incidência de variáveis externas sobre a economia brasileira.  A queda dos preços no mercado internacional  do petróleo e dos produtos agrícolas no curso do primeiro governo Dilma, produziram enorme queda das receitas da fazenda nacional produzindo o início de um gigantesco déficit público.

Todo este complexo processo de formação de preços a partir de variáveis internacionais começou a ocorrer no curso do primeiro governo Dilma, como houve a decisão de ampliar os gastos públicos em função da eleição presidencial que se aproximava, estes gastos ampliaram-se no curso do ano de 2014, produzindo um enorme déficit nas contas públicas.  É neste contexto de início de uma aguda crise econômica que se inicia o segundo governo Dilma em 2015. Agora temperado com o enorme escândalo envolvendo o Partido dos Trabalhadores, a partir de outubro de 2014.

O governo Dilma, a partir de janeiro de 2015, foi marcado, desde a sua segunda posse por uma grave crise econômica impulsionada pelo déficit das contas públicas e pela crescente crise política que, efetivamente se instaurou com a eleição de um oposicionista extremado para presidir a câmara do deputados, que foi o deputado Eduardo Cunha.

O segundo governo Dilma inicia com a necessidade premente de tomar medidas contracionista na economia  para enfrentar o grave déficit público acumulado no curso do final do seu primeiro mandato. Estas medidas passavam pelo corte de gastos sociais, contenção dos salários dos servidores públicos e  reforma previdenciária.

Neste momento, os escândalos envolvendo a cúpula do Partido dos Trabalhadores estavam em franco processo de ampliação. O presidente da câmara do deputados, Eduardo Cunha, aliado ao centro político conservador desta instituição, iniciou a produção da chamada “pauta bomba”, que objetivava ampliar os gastos públicos num contexto de grave déficit público, inviabilizando, sistematicamente as iniciativas políticas do governo Dilma.

É neste contexto que entra em ação o vice-presidente da república, Michel Temer que se alia ao presidente da câmara e conduz o PMDB e seus satélites conservadores para a política da pauta bomba de Cunha, gerando uma ingovernabilidade política que durou todo o ano de 2015 e parte do ano de 2016.

Com a paralisia congressual estavam dadas as condições para o golpe parlamentar contra a presidente da república. Os defensores do impeachment utilizaram uma ferramenta legal para dar início à derrubada de Dilma. Assim, o impeachment, veio a afastar e posteriormente cassar o mandato da presidente Dilma.

Deve-se registrar que a presidente Dilma jamais foi acusada ou envolvida com as denúncias da operação Lava Jato contra o Partido dos Trabalhadores. O argumento utilizado para afastar a presidente foi de ordem administrativa, ou seja a presidente Dilma foi acusada de pedaladas fiscais, qual seja, fazer deslocamento de receitas públicas para pagar o programa Bolsa Família. Deslocamento orçamentário este, que não foi  autorizado pelo congresso nacional.

Deve-se registrar que o Supremo Tribunal Federal legitimou todo este processo de golpe parlamentar a partir de uma provocação do próprio Partido dos Trabalhadores. Ou seja, quando o presidente da câmara dos deputados conduziu a aprovação do rito do impeachment, o PT recorreu ao STF solicitando que o rito fosse alterado, no que o foi atendido pela corte suprema. A partir deste momento o rito do impeachment estava legalizado.

Pois bem, com a queda da presidente Dilma, ascendeu à presidência da república o vice-presidente Michel Temer, que construindo uma ampla maioria parlamentar vem enfrentando a crise econômica com políticas ortodoxas consubstanciadas em políticas de contingenciamento do orçamento público, notadamente para saúde, educação, segurança, corte de gastos de programas sociais , arrocho salarial do funcionalismo público e reformas administrativas que vêm penalizando o trabalho e protegendo o capital.

O resultado de toda esta política contracionista e antipopular é a rejeição estratosférica do presidente da república pela sociedade brasileira, que chega a 80% e aprovação que não passa de 3%. Neste contexto de arrocho contra a classe trabalhadora e os setores médios da população observa-se o crescimento da popularidade do ex-presidente Lula, que hoje é apontado pelos institutos de pesquisas, como favorito para ganhar as eleições presidenciais de 2018, caso venha a ser candidato.

É neste contexto que passo a analisar os possíveis cenários para as eleições de 2018 no Brasil. Eu diria que este cenários serão nebulosos até meados de 2018, tendo em vista a possível condenação, em segunda instância, do ex-presidente Lula no dia 24 de janeiro pelo Tribunal Regional Federal da quarta região.

Com efeito, Lula tem sido o personagem central da sucessão presidencial de 2018. Como existe grande probabilidade de sua condenação no dia 24 de janeiro de 2018, os desdobramentos poderão ter incidência sobre os rumos da sucessão presidencial de 2018 no Brasil. Mas vamos aos prováveis cenários para 2018 no Brasil.

As forças políticas que estarão no centro das disputas eleitorais no Brasil nas eleições de 2018 deverão estar representada no centro: Geraldo Ackmin, Lula, Marina Silva e Álvaro Dias. Pela direita, Jair Bolsonaro e pela esquerda Ciro Gomes.  Muitos outros candidatos, portadores de diversas matizes ideológicas deverão se lançar à presidência mas com baixo poder de polarização política, a exemplos dos candidatos do PC do B, PSOL e PPS.

Cenário 1 com a presença de Lula candidato (cenário improvável) -  Lula e Alckmin ocuparão o espaço do centro, Alckmin atingindo boa parte da direita e Lula boa parte da esquerda. Diria eu, este dois candidatos esvaziarão candidatos pelo centro e pela esquerda. Os candidatos com perfil de centro como Marina Silva, Álvaro Dias e Cristovam Buarque tenderão a ser esvaziados. Pela esquerda, candidatura como a de Ciro Gomes perderá potencial de crescimento.

Creio que neste cenário, Lula. Alckmin e Jair Bolsonaro travarão uma dura batalha pelo segundo turno. Caso venham a passar Alckmin e Lula, o tucano a partir da migração maciça dos votos de Bolsonaro tenderia a sair vitorioso. Caso venha a passar Alckmin e Bolsonaro, a maioria dos votos de Lula dariam a vitória ao tucano em segundo turno. Caso venha a passar Lula e Bolsonaro, Lula sairia vitorioso a partir da migração dos votos de Alckmin para Lula em segundo turno.

Cenário 2- sem Lula:  Neste cenário haveria uma grande fragmentação eleitoral ao centro e à esquerda. No centro, que tem potencial de 50% de votos, Alckmin, Marina, Cristovam Buarque e Ávaro Dias dividiriam o voto ao centro, com tendência de que o tucano passasse ao segundo turno. Pela esquerda o candidato do PT, Ciro Gomes, Manuela D’avila  do PC  do B e o candidato do PSOL, dividiriam os votos à esquerda, cujo potencial é de 30%, perdendo poder de passagem ao segundo turno. Neste cenário, o candidato de direita, Jair Bolsonaro, com potencial de 20% de votação passaria ao segundo turno.

Num confronto entre Alckmin e Bolsonaro, a tendência seria de vitória de Alckmin, ou qualquer outro candidato que viesse do centro político, haja vista que a maioria dos eleitores de esquerda, dariam um voto anti Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018.

 A presença de Lula, como cabo eleitoral poderá alterar a dinâmica deste eventual cenário. A entrada de um outro candidato petista na disputa presidencial poderá retirar qualquer chance de um candidato de esquerda vir a disputar a passagem ao segundo turno nas eleições de 2018. Creio que o voto de Lula é somente de Lula e os votos da legenda do PT, são outra coisa, perante as massas, nesta eleição vindoura. Creio que o PT, como partido, só começa sua recuperação eleitoral nas eleições seguintes, quando passar a penitência decretada, desde 2016 pelo eleitorado brasileiro.

Mas, o que é improvável, caso Lula e o PT resolvam apoiar uma candidatura, como a de Ciro Gomes, desde o primeiro turno, o cenário se transformaria favoravelmente para a esquerda. Como Ciro Gomes tem de saída 10% de intenção de votos, Lula tenderia a transferir mais 10 ou 15% por cento, o que colocaria esquerda em condições de disputar o segundo turno de 2018 no Brasil. Neste cenário Ciro só tenderia a sair vitorioso se viesse a enfrentar Jair Bolsonaro, pois a maior parte dos eleitores do centro político tenderiam a dar um voto anti Bolsonaro, desde que Ciro Gomes moderasse seu discurso, seu programa e fizesse um aceno ao centro político.

O fenômeno Bolsonaro representa a negação da política e dos partidos e este candidato está em ascensão devido ao sentimento genérico de rejeição do sistema político como um todo, seja a negação dos poderes da república seja a descrença nas próprias instituições democráticas no Brasil. Somado a tudo isso, temos a terrível conjuntura da violência urbana e a falência dos serviços públicos básicos. A duplicação de votos brancos e nulos, em relação às eleições de 2014, deverá marcar este sentimento de rejeição da política por grande parte do eleitorado esclarecido brasileiro.

Portanto, as eleições de 2018 é propícia a emergência de outsiders. Existe um sentimento genérico de renovação política nas disputa para os cargos majoritários nas eleições de 2018, a exemplo das disputas para os cargos de presidente, governador e senador. Nestas disputas majoritárias o eleitor terá maiores chances de realizar a operação “degola”.

Dados mais recentes publicados pelos institutos de pesquisa, notadamente o DataPoder, analisando o potencial de votos de cinco candidaturas presidenciais: Lula, Bolsonaro, Alckmin, Marina e Ciro revelaram um dado enigmático, em média 50% do eleitorado brasileiro rejeita todas estas cinco candidaturas.

 O desejo de mudança política se anuncia nas disputas majoritárias, porém esta renovação fica muito difícil nas disputas proporcionais porque o eleitorado não compreende como se elege deputados, devidos as regras eleitorais do sistema proporcional de lista aberta que preside as disputas para os assentos parlamentares no Brasil. Portanto, os deputados acusados de corrupção, mas com poder administrativo ou financeiro tenderão a continuar na vida pública, apesar da operação Lava Jato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Dr. Em ciência política, prof. da UFPA.

 

As atividades clássicas de um parlamentar se materializa em legislar, fiscalizar o poder executivo e defender a sociedade. Há muito estas funções clássicas foram mitigadas. Hoje os parlamentos e governos vivem a simbiose materializada na barganha que proporciona às maiorias parlamentares para que os chefes dos executivos governem sem constrangimentos e em troca os parlamentares recebem emendas, convênios e serviços que são dirigidos para as suas bases municipais.

Normalmente os deputados têm suas conexões eleitorais municipais já madurecidas em: prefeitos, ex-prefeitos, grupo de vereadores, igrejas, sindicatos e ONGs. Ao final das contas, o deputado  ao fortalecer seus cabos eleitorais municipais fortalece seu vínculo com as clientelas representadas por estes cabos eleitorais, que hoje nós denominamos de núcleos de conexão eleitoral.

Como nossas eleições são proporcionais de lista aberta, este modelo se mostra muito eficaz para as parcelas de deputados que já descobriram os segredos da conexão eleitoral, como ela se dá e como ela se mantém no tempo. Assim, todas as verbas oriundas de emendas  parlamentares, convênios e outras modalidade são  distribuídas de formas clientelísticas em detrimento do conjunto da sociedade.

Traduzindo, um recurso é clientelista quando o mesmo é captado do tesouro público e dirigido de forma particular para uma determinada clientela eleitoral. Em síntese, o modelo de conexão eleitoral brasileiro, baseado na distribuição de recursos, bens e serviços públicos transforma o parlamento em repassador de recurso para as clientelas dos deputados, deixando a sociedade orfã de políticas públicas abrangentes, como: saneamento, educação, saúde, segurança, etc.

Eis mais uma dimensão da disfuncionalidade do sistema de representação parlamentar brasileiro. Como estão os fluxos de verbas, como políticas públicas, surgidas a partir do parlamento para setores como: música, esportes, folclore, artes, prevenção da intolerância, proteção a crianças e adolescentes? Estes  segmentos são, efetivamente, esquecidos pelos mandatos parlamentares, com raríssimas exceções.

Há muito o eleitor, baseado nas carências de políticas municipais decide seu voto nas eleições parlamentares como se estivesse votando numa eleição para o chefe do poder executivo. O eleitor quer saber o que o deputado fez. O eleitor avalia o deputado pelas obras executadas em seu município. Como o eleitor vê o deputado como um realizador, o deputado esqueceu sua função de fiscalizar e legislar e virou um apêndice do poder executivo visando se transformar num  inaugurador de obras, como esta fosse a única função de um deputado.

Ou seja, o parlamentar esqueceu seu papel de representante da sociedade frente ao poder executivo. Os deputados ou vereadores viraram aduladores do poder executivo visando entrar para a base parlamentar do governador, do prefeito ou do presidente. Os parlamentares aprenderam que produzir leis e fiscalizar o chefe do poder executivo  sem inaugurar obras resulta em derrota eleitoral. Dai, a grande maioria dos parlamentares lutarem para ser governista, com as raras exceções, dos partidos ideológicos. Os partidos ideológicos que se recusam a entrar na lógica do governismo estão há muito com crescimento prejudicados no poder legislativo.

Portanto, é a lógica do sistema eleitoral e partidário brasileiro que induz os parlamentares para o adesismo ao chefe do poder executivo em detrimento das políticas públicas universalistas em direção aos municípios. Assim podemos concluir que hoje o parlamento enquanto instituição representa grupos de pressão parlamentar junto ao poder executivo que visa sua auto reprodução eleitoral. Este fato, se guardar alguma relação com a realidade explica porque a sociedade se sente invisível perante à instituição parlamentar.

Acredito que não podemos superar esta realidade num passe de mágica. Creio que os parlamentares, a maioria, já descobriu os mecanismos de conexão eleitoral que traz retorno eleitoral, mas é preciso que as bancadas parlamentares produzam emendas coletivas com vistas a atendar macro demandas sociais, notadamente relacionada ao desenvolvimento urbano, rural e às políticas civilizantes no campo da arte, cultura, esportes e diversidades.

Uma coisa parece certo, hoje, a sociedade está muito longe de avaliar positivamente o desempenho dos parlamentares em sua rotina de trabalho.

Tenho dito.

Pelas oposições parece que dois nomes estão bem encaminhados para a disputa governamental de 2018. Helder pelo PMDB e Úrsula Vidal por um bloco de centro-esquerda deverão estar nas disputas de 2018. O PT está mergulhado num debate interno em torno de sua tática eleitoral. Os grupos majoritários tendem a acompanhar a posição do deputa Paulo Rocha e apoiar a candidatura do PMDB desde o primeiro turno enquanto a minoria partidária defende candidatura própria ou aliança oposicionista  com partidos de centro esquerda.

Já o candidato a ser apoiado pela máquina do governo estadual, dito de forma direta, pelo governador Simão Jatene segue indefinido.  Pelo PSDB três nomes estão claramente colocados: Pioneiro, Zenaldo e Adnan Demachki. Fora do PSDB três nomes ainda estão colocados, mas que são da base do Governo: Sídney Rosa (PSB), Zequinha Marinha (PSC) e Márcio Miranda (DEM).

De todos os candidatos governistas, o nome melhor colocado nas pesquisas é a do prefeito de Ananindeua Manoel Pioneiro. Mas tudo indica que Pioneiro não é considerado um intelectual de berço, como exige a entourage tucana no estado, por isso o governador tenderia a não indicar este candidato.

Dois nomes estariam com reais poderes de barganha dentro da base governista. O nome mais forte seria de Márcio Miranda porque este é declarado candidato ao senado, que  seria o cargo pretendido por Jatene, e como tal, deslocar Márcio para a disputa do cargo de governador resolveria esta questão.

Por outro lado, Márcio Miranda conta a seu favor com a simpatia dos deputados estaduais que o consideram um bom parceiro, pela forma como este deputado conduz a gestão legislativa. O caminho seria o seguinte: Márcio Miranda seria reconduzido à presidência da ALEPA em 2018. Jatene conduziria um arranjo político com o vice-governador Zequinha Marinho para que Jatene e Zequinha renunciassem ao cargo, assumindo então o governo o presidente da ALEPA, que assumiria o governo e seria candidato à reeleição em 2018.

Mas Zequinha não vem dando sinais de aquiescência com esta estratégia. Segundo fontes bem informadas, o vice-governador  guarda mágoas do governador Jatene pela forma como foi tratada neste três anos de governo. Zequinha manda sinais de que não renunciará a condição de vice-governador e que assumindo o governo, numa eventual renúncia de Jatene,  se lançaria candidato ao governo em 2018. Caso esta situação venha a se cristalizar haveria enorme fragmentação na base do governo, abrindo espaço para a vitória da oposição pemedebista.

Caso o vice-governador não aceite o arranjo a ser proposto por Jatene, então este, para evitar uma derrota antecipada no pleito de 2018,  abriria mão de sua candidatura ao senado, governaria até o final de seu mandato, e nestas condições um nome do PSDB ganharia força para concorrer ao governo em 2018. Pioneiro estaria bem posicionado, apesar do preconceito tucano com seu nome, por estar melhor posicionado nas pesquisas.

Zenaldo teria grandes limitações para ser aceito por Jatene porque despotencializaria  a capacidade tucana nas disputas na região metropolitana, por causa de sua enorme rejeição em Belém. Por outro lado, Adnan e Sídney Rosa não dispõem de capital eleitoral para esta disputa e não potencializariam a coalizão do governo frente a azeitada candidatura oposicionista de Helder Barbalho.

Jatene, por motivos óbvios sonha com a candidatura de Márcio Miranda ao governo, uma vez que mataria vários coelhos com uma só cajadada: garantiria sua vaga ao senado, lançaria o presidente da ALEPA, agora governador, como candidato à reeleição usando todo o peso da máquina de governo, e ainda resolveria a questão do vice-governador Zequinha Marinha, lhe ofertando uma proposta irrecusável.

Numa eventual recusa do vice-governador à tática de Jatene a estratégia global do atual governador para 2018 estaria comprometida. Por outro lado, Jatene ainda precisa combinar com a base tucana. Como reagirá os diversos postulantes peessedebistas ao governo com a eventual indicação de um não tucano ao governo? No caso de Márcio Miranda?  Haveria “racha” interno na base do governo com eventual migração ao candidato do PMDB?

De fato, existem muitas questões em aberto dentro da tática ser implementada pelo governador Jatene frente às eleições de 2018. Por certo o jogo não será fácil. Além dos problemas sociais e econômicas que acometem o estado, como parte da crise econômica mais geral, ainda existe o fato desta coalizão de governo está à frente do estado desde 1994, com um breve interregno entre 2007/2010.

São vinte anos no comando político do estado. Tucanos e seus aliados por certo enfrentarão muitas questões a serem colocadas nos debates de 2018. Violência, desemprego, arrocho salarial e continuísmo estarão em todas as mesas de debates. Por certo, a situação representada pelo candidato do governador Jatene terá um enorme desafio para manter-se no poder a partir de 2018.  Só a Virtú salvará a coalizão tucana nas eleições de 2018 no Pará.